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terça-feira, 7 de setembro de 2010

O inicio do aprendizado....

Após um longo período de observações (quase duas semanas) começamos na ultima terça-feira o processo de iniciação a mecânica das movimentações em quadra, uma vez que ficou evidente o bom nível de habilidade da maioria dos novos alunos.
O trabalho iniciou-se com um alongamento e aquecimento funcional, seguido de uma corrida de 10 minutos em ritmo moderado. Os alunos hidrataram-se e participaram de um educativo de coordenação de movimentos e aprimoramento da velocidade.
Como um dos pontos difíceis detectados durante o período de observação foi a deficiência do passe, no que tange a execução da ação técnica, a capacidade de análise e escolha do momento no qual a ação deve ser executada. Optamos durante o planejamento por realizar um educativo da ação técnica passe com antecipação como pode ser visto na foto do inicio da postagem e no vídeo abaixo:
Dando sequencia ao planejamento da aula, realizamos um exercicio de movimentação e passe, inspirado em um treino do Manchester United da Inglaterra, no qual surgem naturalmente as triangulações e suportes necessários as movimentações em quadra no futsal.
As falhas no direcionamento do passe e a "natural" pressa com a qual as crianças e adolescentes iniciados no futebol de rua executam as ações técnicas, surgiram na maioria das trocas de passes decorrentes das movimentações necessárias ao exercício.

Nas ultimas duas partes da sessão de treino, continuamos a trabalhar em um primeiro momento com a movimentação proposta pelo educativo adaptado, com ampliação da área de jogo incluindo a necessidade de conduzir a bola antes de passar para o companheiro (a). Em um segundo momento continuamos a atividade anterior, com a inclusão da oposição de adversários nas movimentações a serem realizadas pelos alunos.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Tentando ensinar... aprendendo novos conceitos...

Nas ultimas postagens (se bem que estou devendo algumas referentes ao mês de agosto com as primeiras impressões com os novos alunos), discutimos algumas das questões primárias a cerca do ensino do jogo de futsal fora do ambiente escolar - o jogo coletivo e a movimentação sem a bola.
Na aula de 31/08/2010, na parte final realizamos um pequeno jogo situacional de possessão da bola com vantagem/desvantagem numérica frente a marcação adversária. Os objetivos iniciais propostos para as equipes foram os seguintes:
  • Manter a posse da bola (prioritariamente para o grupo em vantagem numérica) e movimentar-se pelo espaço de jogo (no caso em questão metade da quadra);
  • Recuperar e manter a posse da bola (prioritariamente para o grupo em desvantagem numérica) por meio de ações de redução de espaços, fechamento de linhas de passe e bloqueios;
  • Em ambos os casos tentar utilizar o máximo do espaço disponível para realização dos movimentos coletivos em quadra.

Também foi recomendada a utilização do padrão de triangulação visto nas aulas anteriores (ver fotos) quando a equipe estivesse com a posse da bola. Porém o que foi visto após o inicio da atividade foram dois erros básicos gritantes, por parte das equipes e dos alunos.

O primeiro tem seu ponto de partida no desenrolar inicial da atividade com algumas tímidas tentativas de passe em equipe esbarrando na coesão defensiva resultante da utilização do espaço pelos alunos. Os membros das equipes em superioridade numérica reduziram a ocupação do espaço destinado a atividade em 25%, com alguns momentos indo até 33% da área disponível, ou seja praticamente 75% da área de jogo ficou sem utilização.
O segundo tem seu inicio no desenrolar da atividade. O primeiro grupo em desvantagem numérica conseguiu realizar o objetivo proposto para ele - recuperar e manter a posse de bola (conforme foi citado anteriormente nesta postagem), ainda que esta posse não durasse muito tempo. Do segundo grupo em diante não houve esta preocupação com a realização dos objetivos propostos, o que se viu foi uma preocupação exagerada em destruir as ações do grupo adversário e por a bola para fora, objetivando a saida deste ultimo.
E nisso se foram longos e penosos minutos da atividade, sem que se recuperasse a atenção as instruções iniciais e se buscasse o cumprimento dos objetivos iniciais traçados para a cada grupo.
Ao final o retomamos a conversa de avaliação da atividade proposta e os discursos dos alunos mostrou que eles já não lembravam quais tinham sido as regras e os objetivos propostos no inicio. A preocupação deslocara-se durante a atividade para uma competição sem lógica e sem nexo para a sua ocorrência, impedindo o aprendizado que aconteceria decorrente das tentativas deles superarem as dificuldades surgidas na prática.
Nas proximas aulas tentaremos algumas estratégias para que os alunos comecem a apresentar a lógica de raciocinio necessária para o desenvolvimento da autonomia tática a partir de um modelo de movimentação prévio. Cientes que algumas dos nosss tradicionais artificios metodologicos não tem desencadeado os comportamentos esperados por parte dos alunos.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O primeiro dia... um novo caminho...

No dia 03 de agosto, o projeto Arte nas Quadras voltou as suas atividades com as turmas de iniciação após um longo periodo. Agora as atividades acontecem no ginásio do C. E. Edgard Santos, localizado no bairro do Garcia (região central de Salvador - Bahia).
Vinte e cinco alunos de escolas públicas localizadas no Centro de Salvador e algumas alunas remanescentes do grupo anterior, participaram das atividades de avaliação e sondagem para posterior desenvolvimento do planejamento semestral com base nos diferentes níveis técnicos dos alunos.
O alongamento e o aquecimento funcional foram ministrados pela ex-atleta do Arte nas Quadras Dandara Calmon. Depois das atividades iniciais os alunos correram durante 07 minutos e caminharam durante mais três minutos.
Os alunos foram observados durante as atividades de avaliação, que foi um jogo de possessão de bola em 3v2 visando analisar as habilidades e os conhecimentos sobre o jogo defensivo. A segunda atividade foi um jogo 3v3 no qual os alunos tentaram por em prática alguns fundamentos defensivos e transicionais, utilizando o seu talento individual.
O diretor técnico do Arte nas Quadras, o Prof. Esp. Ailson Santana, após uma cuidadosa observação das atividades comentou:
"A maioria deles tem sérios vícios técnicos e táticos, todos passíveis de correção, mas de modo geral eles são talentosos e jovens. Uma combinação perfeita se tivermos o tempo necessário para levarmos o grupo a atingir o auge do seu potencial, acredito que teremos boas surpresas a partir do ano que vem."
Alguns dos novos alunos deixaram os seus depoimentos sobre o que acharam da aula e quais as expectativas deles sobre o Arte nas Quadras.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Pré temporada 2010: O inicio

Conforme disse na primeira postagem do ano, estarei me ausentando dos treinamentos e atividades de quadra do Arte nas Quadras. Mas como o principal motivo da minha ausência só chegará (segundo os médicos) após o carnaval, aproveitei para iniciar os treinamentos dos goleiros do grupo de competição feminino do Arte nas Quadras. Inicialmente só com Renata e Adriana (que não não compareceu a avaliação física e as quatro primeiras sessões de treinamento, devido a ter sofrido um atropelamento), a alternativa para reforço na posição não deu certo.
As atividades de avaliação tiveram inicio 29/01 com a corrida para avaliação do VO² máx, realizada na pista de Cooper do Dique do Tororó. No dia 1º/02 os testes de avaliação física tiveram continuidade, na quadra externa do Centro Educacional Edgard Santos com os testes para avaliação da:
  • Velocidade de deslocamento lateral;
  • Impulsão horizontal;
  • Agilidade (Teste "T");
  • Resistência anaeróbica lática.
Os testes para impulsão vertical, aceleração e os testes de avaliação técnica não foram realizados neste dia ficando para uma data posterior. Ainda foram realizados treinamento da coordenação motora, das pegadas (baixa, média e alta) e defesas (baixa, média e alta). Incluindo no final um educativo para defesas utilizando os pés.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A inteligência espacial e desenvolvimento da "capacidade de jogo" do jogador de futsal (1ª parte)

A inteligência espacial pode ser definida como a capacidade de "relacionar o próprio espaço que nos envolve, percebendo e administrando distâncias, pontos de referência (...), bem como revelando a capacidade de perceber diferentes objetos, eventualmente transformando-os e combinando-os em novas posições" (ANTUNES, 2006).
O mesmo autor ainda destaca que as pessoas que possuem um bom nível de inteligência espacial, "efetuam transformações e modificações sobre as suas percepções e mostra-se capaz de recriar aspectos da experiência visual ou "pensar visualmente, mesmo na ausência de objetos" (ANTUNES, 2006). As definições acima extraídas do livro "Inteligências múltiplas e seus jogos: Inteligência espacial", enfocam ainda que não estejam direcionadas para o futsal, necessidades básicas inerentes para prática do futsal não importando o nível técnico ou de habilidade técnica dos praticantes. Não importa a ação técnica a ser realizada ou a posição em quadra, se jogador de linha ou goleiro, a inteligência espacial é um requisito imprescindivel para a evolução/sucesso do jogador de futsal. Para exemplificar a importância da inteligência espacial, tomemos um situação corriqueira no jogo de futsal: o contra-ataque depois de defesa do goleiro.
  1. A realização da defesa por parte do goleiro envolve a identificação das possibilidades de finalização/assistência, referenciadas no posicionamento dos adversários, companheiros e da bola;
  2. Perceber a distância e a trajetória da finalização no gol, analisando a velocidade da bola e as possibilidades de defesa (se espalmar, encaixar ou deixar bater no corpo etc.);
  3. Após a realização da defesa, o goleiro tem que localizar rapidamente os companheiros e adversários na quadra de jogo, analisar as possibilidades de movimentação deles e os "corredores de passe" (locais por onde a bola pode passar com mais facilidade para o receptor), escolhendo o com mais chances de sucesso do passe;
  4. O jogador que recebeu o passe do goleiro tem de realizar os mesmos procedimentos de identificação das localizações dos adversários e companheiros (pontos de referência na quadra de jogo) e análise das possibilidades de movimentação deles. O diferencial é que ele terá que realizar a tríplice ameaça (que será tema de uma postagem futura) de forma isolada (passar, driblar ou finalizar) ou combinada (drible+passe, drible+ assistência ou drible+finalização).
Em todos os passos que tentei descrever acima, podemos perceber que o aspecto decisional de cada ação realizada na situação descrita anteriormente, tem ligação direta com a capacidade do individuo pensar de maneira tridimensional, possibilitando a ele possuir imagens internas e externas dos objetos/pessoas através da quadra de jogo e a decodificar com facilidade informações visuais adquiridas/percebidas. ANTUNES (2006) citando GARDNER (1995) descreve as três formas por meio das quais se manifesta a capacidade espacial do individuo, mas para a prática do futsal são mais significativas duas:
  • a capacidade de imaginar movimentos ou deslocamentos internos entre as partes de uma configuração;
  • a capacidade de pensar sobre as relações espaciais nas quais a orientação corporal do observador é parte essencial do problema.
Normalmente o foco do ensino do futsal é o aperfeiçoamento técnico e tático do talento tido como "natural" de cada aluno, mas usualmente esquece-se da necessidade da observação e aprimoramento do nível de inteligência espacial do aluno. Pois sem um bom nível desta a primazia técnica e o elevado nível de habilidade individual tão almejado por alunos, pais, professores e técnicos se mostrará inútil, uma vez que os erros na interpretação dos dados visuais adquiridos por meio dos olhos o levarão muitas vezes a escolhas equivocadas na hora de decidir o que fazer. O que leva ao surgimento de um jogador com sérias dificuldades de participar do jogo coletivo da equipe, preferindo na maioria das vezes as ações individuais (drible ou chute), que geralmente não é o mais indicado para a situação na qual o jogador se encontra. Meramente pela dificuldade de perceber opções melhores dadas pelo jogo em si e pelos companheiros. Isto quando o jogador tiver um excepcional talento individual, caso não tenha este nível terá dificuldades ainda maiores para desenvolvimento das suas habilidades dentro do jogo. Referências bibliográficas
  1. ANTUNES, CELSO. Inteligências múltiplas e seus jogos: Inteligência espacial. Vol. 4. Editora Vozes, Petropólis, RJ, 2006.
  2. GARDNER, HOWARD. Estruturas da mente - as inteligências múltiplas. Artmed, Porto Alegre, RS, 1995.